Crente pode beber vinho?

Foto: Pixabay

Apologetas de Controvérsias Inúteis,

os ACIn, formam um grupo numeroso e problemático no meio evangélico. Geralmente são batistas ou presbiterianos formados em seminários contaminados pela ideologia de esquerda. Acham que são os defensores do Evangelho esquecendo que é o Evangelho que nos defende quando cremos em Jesus.

Os ACIn abraçaram uma controvérsia inútil e perigosa: a controvérsia do vinho,

ou melhor do cachaçal no meio evangélico. Querem de todo jeito provar que o vinho bíblico tinha álcool e que eles podem beber porque Jesus transformou água em vinho.

Eles afirmam que vinho é sempre alcóolico, dizem até que vinho sem álcool não alegra o coração de ninguém e que, por isso, o vinho bíblico é alcóolico e não vinho novo, semelhante ao suco de uva. Vamos analisar essa bobagem teológica antes que muitos de nossos irmãos com problemas de alcoolismo, que é uma doença, sejam submetidos às concupiscências de alguns pastores e seminaristas tolos.

Antes de mais nada, para aqueles que se julgam fortes e que pensam ser capazes de nunca se embriagar, deixo o exemplo de Noé.

Este servo de Deus embriagou-se e, em decorrência disso, amaldiçoou um membro da sua família e teve sua história de homem honrado manchada pelo episódio da bebedeira. O álcool faz isso: envergonha famílias e traz maldição aos beberrões.

Ainda enfatizando Noé, lembremos que não existia homem mais justo do que Noé na terra. E no tempo de Noé todos eram pervertidos em todos os sentidos, mas Noé foi forte para resistir à perversão dos pecadores. Dificilmente existe outra pessoa como Noé nos dias de hoje. Os que se dizem como Noé, geralmente são mentirosos e enganadores. Talvez exista exceção, mas deve ser tão rara que compara-se à encontrar uma semente de mostarda em um palheiro de vários quilômetros.

Ora, os ACIn dizem-se fortes para resistir ao álcool, portanto, eles se consideram melhores do que Noé, pois Noé não resistiu.

Se considerarmos a possibilidade de alguém ser melhor do que Noé é de espantar que exista tanto evangélico dizendo que é capaz de resistir ao álcool no vinho. Ou são tolos ou mentem.

Sabendo que não somos Noé e que devemos tomar cuidado, abstendo-se do álcool, temos que tomar outro cuidado que é o da citação irresponsável de textos bíblicos. Podemos encontrar diversos textos bíblicos sobre o vinho e daí defender o seu consumo com alto teor alcóolico, mas isso é um absurdo.

A Bíblia nos orienta a não nos embriagarmos com vinho, mas a enchermo-nos do Espírito.

Mas os ACIn, querem encher a cara. Que façam isso, se quiserem, mas que não levem o povo de Deus ao escândalo.

Os textos sobre vinho são tantos que vou citar somente os necessários, pois pela quantidade de textos seria possível gerar confusão, portanto, o que interessa saber é: de que vinho a Bíblia está falando?

Primeiro precisamos analisar a fabricação de vinho em nosso tempo.

As uvas são maceradas e colocadas por cinco dias para iniciar a fermentação, pois o objetivo para os mundanos é consumir vinho alcóolico. Depois desses cinco dias, o mosto, que é o suco de uva inicial, é colocados em recipientes fechados para não entrar oxigênio e colocados a fermentar. O que vira álcool é o açúcar pela ação de bactérias que fermentam o suco de uva. Atualmente, o processo natural de fermentação é potencializado colocando mais açúcar no suco de uva para que produza mais álcool, e ainda, colocando-se ingrediente químico que mata as bactérias que produzem pouco álcool deixando somente as bactérias que produzem muito álcool. O processo todo leva em torno de dois meses, adicionando açúcar a cada filtragem para produzir mais álcool ainda.

Esse processo em pouco se compara ao processo antigo.

Jesus liberta da cachaça

Primeiro, porque o açúcar usado era da própria uva e não adicionado açúcar para gerar mais álcool, em segundo lugar, porque na fermentação natural se produz muito menos álcool, pois as bactérias que fermentam competem entre si o que gerava muito menos álcool no vinho antigo.

Em terceiro lugar, podemos dizer que a safra da uva, por maior que fosse era consumida em também em poucos dias e o excedente, ou a reserva, era destinada a fazer vinho. Finalmente, em quarto lugar, o vinho era apenas um processo de conservação assim como bacalhau, carne seca, frutas secas, azeitonas em salmoura e etc.

Você conhece alguém que defenda o consumo da salmoura da azeitona? Conhece alguém que defenda o consumo do bacalhau ou da carne seca sem dessalgar a carne? Eu não conheço e você provavelmente, também não conhece.

Usando o exemplo da carne, para fazer um parâmetro mais contemporâneo,

podemos dizer que o vinho novo era o vinho de primeira e o vinho velho era o vinho de segunda. Essa nomenclatura de carne de primeira e carne de segunda tem uma ligação significativa com o vinho em termos de processo de conservação.

A carne de primeira é aquela carne que é consumida fresca, por ser de melhor qualidade e por ocorrer em pequenas partes da carcaça do animal abatido. A carne de segunda, por outro lado, é uma carne mais dura e menos nobre, por isso é salgada para que permaneça por maior tempo à disposição para o consumo.

A tempos atrás, carne seca era coisa de pobre e carne fresca era coisa de rico,

semelhantemente ocorria com o vinho que é a mesma coisa que suco de uva. O vinho é elogiado na Bíblia quanto à sua doçura o que indica um vinho novo. Lembra que escrevi acima que o vinho perde açúcar que se transforma em álcool, pois é isso, o vinho doce é o vinho novo, sem fermentação, pois ainda possui bastante açúcar da uva. Conforme o vinho fermenta e perde açúcar ele se torna acre, seco, sem açúcar. Logo, se a Bíblia elogia a doçura do vinho, está elogiando o vinho enquanto suco de uva.

Os ACIn devem estar doidos com isso. Os seminários deles não conseguiram ensinar algo tão simples? Ou é maldade mesmo?

Outro exemplo claro do vinho que não embriaga ocorre na festa do pentecostes que ocorria próxima ao verão

exatamente na época em que se colhiam as uvas e fabricava-se o vinho. Em Atos 2 vemos que os discípulos falavam em outras línguas e que os zombadores diziam que eles estavam cheios de “mosto” que em algumas versões é traduzida por “vinho”.

Ora, entendendo-se a zombaria como uma ironia e não como uma acusação, e lembrando que o mosto era o puro suco de uva antes de qualquer fermentação, podemos entender que a zombaria era equivalente a dizer, hoje em dia, “eles encheram a cara de coca-cola”, pois o mosto não embriagava.

Curiosamente, esta é a única vez na Bíblia em que se refere ao mosto especificamente, pois a figura de linguagem requeria isso. No restante da Bíblia, suco de uva e vinho são a mesmíssima coisa.

É uma ironia que um texto irônico coloque por terra os apologetas de coisas inúteis

que defendem o cachaçal gospel. Daria para escrever muito mais sobre essa controvérsia inútil e perniciosa no meio evangélico, mas me parece que as informações que seguiram são suficientes.

Portanto, cuidado com interpretações bíblicas de quem se diz o “supra sumo da teologia” geralmente esses caras são apenas orgulhosos e pouco entendem do que falam. Usam uma linguagem politicamente correta para esconder o ridículo ou a malícia de sua defesa do mal.

Continuemos como bons crentes, evitando o vinho e qualquer outra bebida forte,

pois mesmo que você se considere melhor do que Noé, temos a obrigação de ser exemplo para os fracos, ou seja, ser exemplo para aqueles que tem dificuldades com bebida alcóolica e que podem perder a sua vida somente porque algum seminarista ou pastor “inteligentinho” não soube guardar-se de sua concupiscência.

Sobre Marco Teles 182 Artigos
Formado em Teologia e Pedagogia, pós-graduado em Ensino Religioso, Neurociência Pedagógica, Comunicação e Oratória. Praticamente um "coxinha fundamentalista". Educador Religioso da Igreja Batista em Icaraí, Terceira Igreja Batista em Trindade e Diretor do Ministério Infanto Juvenil na Primeira Igreja Batista de Niterói, não exatamente nesta ordem e tempo. Meu princípio básico é servir a Deus, mesmo de forma incompreensível ao homem mundano, pois não existe comunhão da luz com as trevas. Por isso mesmo continuo pregando o Evangelho, para trazer mais pessoas à comunhão com Deus.

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