Igreja e política

Separar religião e Estado não é a mesma coisa que separar religião e política.

Rollemberg o governador que demoliu uma igreja evangélica

A perseguição política às igrejas é algo que está além do Estado, pois alcança a mentalidade anticristã. Em outubro de 2017 o governador socialista do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB) mandou derrubar uma igreja evangélica.

A justificativa é de que a igreja estaria construída em área irregular. A incursão para derrubada foi truculenta com máquinas pesadas destruindo o templo na frente de todos.

Ora, mesmo que a igreja estivesse irregular, seria de se esperar da autoridade pública o respeito à comunidade que ali se reunia.

Sabe-se lá quantas escolas de samba, por exemplo, teriam sido construídas de forma irregular, mas ninguém nunca pensou em demolir suas construções sem avisar à comunidade de sambistas, como mero exemplo. Claro que a ação do governador socialista contra uma igreja demonstra um viés de desrespeito a comunidade de cristãos, mesmo que o terreno esteja construído em área irregular. O problema não é o imóvel, mas o ato contra a comunidade de cristãos, contra a igreja.

Estado é uma forma de organização hierarquizada onde governantes exercem poder coercitivo sobre o povo. Esse poder coercitivo pode ser exercido pela força como fez o governador socialista do DF.

Podemos dizer que o Estado é o poder organizado de executar a ordem social. O Estado em si mesmo é neutro, mas existe algo que está acima do Estado e anda junto dele que é o poder político. O poder político é o poder de ditar as diretrizes de uma sociedade conforme a ideologia de um grupo partidário, seja de partido organizado ou não. Os ímpios tem o seu poder organizado nos partidos socialistas, comunistas e afins, a igreja tem também seu poder político através da influência da pregação do Evangelho ao coração do homem. Uma vez convertido o homem não se submete cegamente ao Estado.

Embora os céticos neguem a influência da religião na sociedade não existe nada mais necessário do que respeitar a religião para que ocorra uma verdadeira democracia.

A sociedade não é formada apenas de cientistas, políticos e outros militantes. A sociedade é, principalmente, organizada por sujeitos religiosos, dentre eles os evangélicos e outros cristãos. Alijar a religião da política é um grave atentado contra a democracia, pois impede que a maior parte da população se manifeste nos valores que mais considera importantes para o desenvolvimento da nação. Ninguém deu aos socialistas e afins o direito exclusivo de orientar o futuro do nosso povo.

Os evangélicos prezam pela separação total da igreja e do Estado.

Isso é importantíssimo, mas em que relação ocorre essa separação? A separação total entre igreja e Estado é meramente administrativa e não política. Para entender isso, precisamos considerar o que seria política, pois já consideramos o Estado.

Política é, no melhor sentido (dentre outros piores), a ética da cidade que permite a harmonia entre os moradores da cidade evitando e solucionando conflitos.

Política não é um jogo de poder, pois quando se torna tal cria vencedores e perdedores no que deveria buscar o bem de todos. Sendo uma ética para a cidadania, a política deve se basear nos valores da maioria dos cidadãos em uma democracia.

A maioria dos cidadãos é cristã, mas vemos constantemente sujeitos eleitos por voto de legenda prejudicando a maioria da população cristã para atender interesses muito particulares de partidos comprometidos com ideologias anticristãs.

A igreja evangélica evita e soluciona conflitos, logo, a igreja  evangélica é um agente político espiritual da sociedade.

Como agente político da sociedade a igreja deve ser respeitada, nunca desmerecida em sua importância. E sabendo que somos agentes políticos, no sentido ético da palavra, devemos nos esforçar para influenciar mais a política. Devemos exercer mais uma influência ética, poderia dizer de certa forma, profética sobre a nação.

Não devemos nos preocupar tanto, embora sem negligenciar, a eleição de evangélicos para o poder legislativo ou executivo, pois um evangélico só agirá como evangélico se for submisso a uma ética cristã e não a uma ética socialista ou legalista.

A senhora responsável pelo órgão que derrubou a igreja citada no início desse artigo é evangélica, mas concordou com a derrubada do templo, isso porquê sua ética pode ser mais legalista ou socialista do que cristã. Só isso já mostra que precisamos influenciar mais eticamente, apenas colocar políticos evangélicos no poder não é suficiente. Ainda que alguns deixem a desejar.

Quando a igreja se exclui da ação política, confundindo política com mandato eletivo, ela se torna alvo dos ferozes anticristos.

O homem da iniquidade se manifestará politicamente, pois os povos se reunirão em apostasia a ele. Claro que Cristo voltará e o destruirá com um sopro, mas não é por isso que a igreja deve se acomodar e deixar milhões de pessoas irem para o inferno enquanto espera pela volta de Jesus.

Cristo disse que Ele não voltaria até que todos ouvissem do Evangelho. A pregação do Evangelho pertence à igreja e essa pregação é a única e verdadeira influência ética na nação. Sem a pregação do Evangelho genuíno, conforme as Escrituras e não politicamente correto, jamais conseguiremos salvar almas ou influenciar eticamente a nação.

É necessário que a igreja seja politicamente ativa sem se deixar enredar pelas artimanhas de poder do Estado, pois a atividade política da igreja é o que garante uma sociedade eticamente saudável.

As seduções do poder são semelhantes as tentações que Jesus sofreu no deserto: saciar os desejos fisiológicos (transformar pedra em pão), saciar a vontade de ser reconhecido (se jogar do alto do templo), saciar a vontade de realização (aceitar o poder sobre os reinos do mundo). Jesus resistiu a todas essas tentações e pregou o Evangelho da Salvação (Mateus 4.1-11).

Alguém pode dizer inadvertidamente “mas Jesus não influenciou a política”, ledo engano, pois Jesus influenciou tanto a política de favorecimentos com sua pregação que os fariseus não viram outra saída senão acusar Jesus para condená-lo à morte, analise os Evangelhos e confirmará que é assim.

Ora, se Jesus influenciou eticamente a política mundial não só na sua morte como depois dela, porque nós cristãos continuamos confundindo administração do Estado como se fosse a única forma de política? Os socialistas sabem que o poder é só um detalhe, por isso querem destruir os evangélicos. Você vai permitir?

Sobre Marco Teles 182 Artigos
Formado em Teologia e Pedagogia, pós-graduado em Ensino Religioso, Neurociência Pedagógica, Comunicação e Oratória. Praticamente um "coxinha fundamentalista". Educador Religioso da Igreja Batista em Icaraí, Terceira Igreja Batista em Trindade e Diretor do Ministério Infanto Juvenil na Primeira Igreja Batista de Niterói, não exatamente nesta ordem e tempo. Meu princípio básico é servir a Deus, mesmo de forma incompreensível ao homem mundano, pois não existe comunhão da luz com as trevas. Por isso mesmo continuo pregando o Evangelho, para trazer mais pessoas à comunhão com Deus.

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