O nome de Jesus está errado?

Ataques contra a sã doutrina cristã ocorrem a todo o momento. Algumas disputas inúteis são levantadas como se fossem coisas de grande sabedoria, mas na verdade escondem uma grande ignorância espiritual.

Militantes de ideias teológicas estranhas atacam a pronúncia do nome de Jesus como algo fundamental, na visão deles, para se adorar a Deus. Dizem eles que o nome correto de Jesus é Yeoshua, em hebraico, e que falar o nome de Jesus diferente do nome hebraico é uma heresia.

Antes, devemos identificar esses sujeitos quanto a suas possíveis influências.

Geralmente, tais indivíduos se opõem ao dízimo e defendem um tipo de misticismo quanto ao nome. Podemos identificar essa prática com a doutrina do grupo herético Testemunhas de Jeová.

Testemunhas de Jeová sempre combateram o dízimo e gabam-se de não dizimar para sua organização. Testemunhas de Jeová também insistiam que para adorar a Deus é necessário falar o nome de Deus, ou seja, só adoraria a Deus quem o chamasse de Jeová.

Quanto ao dízimo, é notório que TJs vendem literatura para manter sua organização. Aparentemente, pode parecer algo mais justo que pedir o dízimo. Entretanto, se você considerar que o custo final de literatura chega a 500% para o produtor, podemos dizer que a Torre de Vigia prefere que seus membros vendessem revistas, pois um lucro de 500% sobre uma material de venda é muito mais interessante financeiramente do que depender de 10% de dízimos voluntários de salários mínimos.

Quanto ao nome Jeová que os TJs dizem ser o nome verdadeiro de Deus é um problema inútil para a vida cristã, pois meramente gera polêmica.

O nome de Deus é escrito somente com consoantes, assim como todos os textos em hebraico. Em determinado período da história, por zelo religioso exagerado, os judeus pararam de falar o nome de Deus para não tomar o nome de Deus em vão. Com isso a pronúncia do nome de Deus se perdeu na história.

Os TJs chegaram a Jeová misturando as consoantes do nome de Deus com as vogais da palavra Adonai, que significa Senhor, e cuja pronuncia é conhecida. Enfim, essa prática coincide muito com a estratégia de proselitismo das Testemunhas de Jeová.

Grupos que se identificam com a prática dos TJs estão enchendo a internet com pregações de apelo para chamar Jesus de Yeoshua e parar com a prática do dízimo. Eles são, no mínimo, suspeitos, mas confundem a cabeça de muita gente.

Primeira coisa a fazer para dissipar as dúvidas é esquecer as teorias conspiratórias sobre o nome de Jesus e considerar o argumento mais contundente deles: o argumento da transliteração.

Transliteração é transformar uma forma de escrita em outra mantendo os valores sonoros. Por exemplo, podemos pegar caracteres hebraicos ou gregos e transliterar seus fonemas com as letras latinas. Os hereges em questão afirmam que um nome verdadeiro é transliterado e não traduzido. Defendem que mudando o nome muda-se o personagem, mas isso está errado.

Os idiomas têm alfabetos diferentes e também fonética diferente.

Existe o alfabeto fonético internacional que representa a fonética de cada som em vários idiomas. A maioria dos idiomas tem umas duas dúzias de fonemas, mas AFI tem mais de uma centena de sons catalogados. Isso implica que alguns sons não são conhecidos na maioria dos idiomas.

Não bastasse isso, a pronúncia do grego koiné, no qual foi escrito o Novo Testamento, é totalmente desconhecida. A pronúncia que os estudiosos usam hoje é em certo ponto artificial, baseada em estudos da possível pronúncia à época. Até os gregos de hoje não falam como os gregos do Novo Testamento. Portanto, querer focar no nome de Jesus é um erro.

Além disso, o nome de Jesus não era um nome singular para a época de Cristo.

Jesus era um nome tão comum como José, João ou Maria no Brasil, portanto, não sendo o nome de Jesus em si algo singular. A pessoa de Jesus é singular, mas seu nome é simples e comum.

Você pode ver também em alguns textos bíblicos que o nome carrega o significado da história do sujeito. É o personagem o mais importante e não seu nome, propriamente dito. Quando você diz que alguém tem um bom nome, não importa como ele se chame o que importa é o caráter do sujeito.

Abraão teve seu nome trocado, Israel idem, ainda podemos citar Pedro o que demonstra que o sujeito construía seu caráter e não o nome em si.

Posso usar um exemplo simples. Existem alguns bandidos perigosos em nossas prisões cujo nome é Jesus. Mesmo tendo o nome do Salvador, enveredaram pelo caminho errado, isto é, seu caráter não têm vínculo com o nome.

Tiago o apóstolo, por exemplo, é Iacobo em grego, em espanhol e português Tiago, em inglês James. João em inglês é John, em espanhol é Juan e em alemão Johann. O que isso significa?

No período da idade antiga até a idade média não existia produção maciça de livros. Pouquíssimos sabiam ler e a cultura era muito mais oral do que hoje. A audição era fundamental para entender as narrativas, não só isso, saber pronunciar cada fonema era imprescindível.

Imagine alguém lendo um livro para um camponês analfabeto da idade média. O ledor leria Iacobo, mas o camponês não sabia pronunciar esses fonemas e aproximava a pronúncia dos fonemas que dominava. Daí saiu Tiago, Iago e afins.

Portanto, o argumento da transliteração é completamente absurdo e as teorias de conspiração com o nome de Jesus se baseiam em ignorância do mínimo da dinâmica das línguas em sua concepção fonética.

Conclui-se que devemos falar o nome de Jesus com nos é comum, sem se preocupar com quantos anjos cabem na cabeça de um alfinete, o que precisamos saber é quem é o dono do nome e o que ele representa para nós. Não adianta nada chamar Jesus de Yeoshua e não valoriza-lo como Salvador, desmerecendo sua divindade.

Fiz aqui várias afirmações genéricas, afinal sou um pregador e não um acadêmico, mas se você pesquisar em material científico especialmente na área da linguagem poderá verificar o que eu disse.

Falemos de Jesus, a tempo e fora de tempo, falemos de quem é Jesus e não apenas disputemos sobre seu nome.  Pois só sabe quem é Jesus quem conhece a pessoa de Jesus, independente de como pronuncia Seu nome.

Sobre Marco Teles 182 Artigos
Formado em Teologia e Pedagogia, pós-graduado em Ensino Religioso, Neurociência Pedagógica, Comunicação e Oratória. Praticamente um "coxinha fundamentalista". Educador Religioso da Igreja Batista em Icaraí, Terceira Igreja Batista em Trindade e Diretor do Ministério Infanto Juvenil na Primeira Igreja Batista de Niterói, não exatamente nesta ordem e tempo. Meu princípio básico é servir a Deus, mesmo de forma incompreensível ao homem mundano, pois não existe comunhão da luz com as trevas. Por isso mesmo continuo pregando o Evangelho, para trazer mais pessoas à comunhão com Deus.

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