Olavetes e a Desonestidade Intelectual

Figura do Papa Inocêncio VIII
Papa Inocêncio VIII autorizou o abuso de poder pela Inquisição contra os opositores do catolicismo da época. Fonte: Wikipedia

Olavetes e seu guru dizem que a inquisição foi uma “coisinha de nada”, dizem também que foi uma intriga inventada pelos protestantes. Mas os documentos papais comprovam a truculência utilizada na Inquisição instituída pela igreja católica.

Especialmente o livro O martelo das bruxas mostra as crueldades praticadas contra pessoas de outras crenças, ou supostamente de outras crenças, pela igreja católica.

Nem todos desprezam a vida

Lembremos que os católicos de hoje, embora eu discorde de suas doutrinas, não são culpados dos crimes da inquisição. Entretanto, são culpados de um crime todos aqueles que o escondem, se tornando cumplices e possíveis repetidores do crime, haja visto que minimizam e justificam a maldade. O verdadeiro cristão não nega os erros, mas muda sua postura para melhor.

A retórica de negar os crimes da inquisição

Quanto aos olavetes e a Olavo de Carvalho é necessário para que mantenha sua coerência contra o comunismo que negue a inquisição. Sendo que todo seu ataque contra o comunismo baseou-se nos crimes do comunismo durante o século XX, especialmente, é notório que os crimes da inquisição precisam ser anulados para que o olavismo não seja contestado.

Na verdade o revisionismo histórico é uma censura a todos que desejarem discordar do tradicionalismo radical olavete. Os olavetes agem como hienas contra quem discorde um milímetro de seu guru, eu mesmo já fui alvo dessa gana, mesmo ainda pensando que poderia haver algum consenso com olavetes.

O consenso com olavetes é impossível e inútil, pois o único consenso possível é seguir seu guru sem pestanejar, portanto, vamos aos fatos.

Papa Inocêncio VIII manda matar sutilmente

Como escrevi no inicio, os documentos papais provam a truculência da inquisição a qual não foi inventada pelos protestantes, como mente Olavo de Carvalho, mas foi autorizada e ordenada pelo papado.

Um documento católico, a Bula de Inocêncio VIII, conferiu tanto poder de repressão aos inquisidores que dizer que tal poder não existia ou não era usado é uma infâmia olavete.

Em certo trecho, o papa Inocêncio VII concede aos inquisidores “poderes plenos e irrestritos” ameaçando qualquer um que se oponha ao abuso de poder com “excomunhão, a suspensão, a interdição e, inclusive, com as mais terríveis penas, com as piores censuras, e os piores castigos (…) sem qualquer direito de apelação”(O Martelo das Feiticeiras, Heinrich Kramer e James Sprenger, 2015).

O Estado é impedido de discordar

Como se pode ver o papa Inocêncio VIII impõe não só autoridade ilimitada a seus inquisidores como também o poder de punir com requintes de crueldade. Não seria necessário nem mesmo ser culpado, bastava discordar dos inquisidores.

Observe-se o detalhe que impõe penas a qualquer pessoa discordante do Vaticano, seja de qualquer nível social, inclusive representantes do Estado. Logo, dizer que a Inquisição não matou ninguém, pois o Estado matou, é ridículo. Os representantes do Estado mataram pela Inquisição pois não podiam discordar das ordens do papa sob pena de perderem a própria cabeça.

Observe que a Bula de Inocêncio VIII autoriza os inquisidores, tanto os nominalmente designados como outros mais, a “prender” e punir “sem qualquer impedimento, de todas as formas cabíveis” e, como constrangimento ao estado designou que notários públicos acompanhassem os inquisidores para “proceder conforme as normas da inquisição”. Como se vê a participação do Estado nas execuções não foi voluntária, mas foi uma coação.

Caso o estado se recusasse a cumprir as normas impostas pela Igreja Católica estaria em sérios problemas, pois seus próprios súditos pediriam que se cumprisse a Bula contando com o óbvio apoio papal.

Olavetes precisam de arrependimento

Seria muito melhor que os olavetes e seu guru reconhecessem o mal a que servem, mas reconhecer isso mostraria que são muito semelhantes aos comunistas que mataram milhões de pessoas.

É óbvio que o comunismo matou mais pessoas que a Inquisição em menos tempo, mas negar os próprios pecados para aparentar santidade e, de quebra, atacar o crescimento dos Evangélicos no Brasil é o que pode ser classificado nos próprios termos olavetes como “desonestidade intelectual”.

Sobre Marco Teles 182 Artigos
Formado em Teologia e Pedagogia, pós-graduado em Ensino Religioso, Neurociência Pedagógica, Comunicação e Oratória. Praticamente um "coxinha fundamentalista". Educador Religioso da Igreja Batista em Icaraí, Terceira Igreja Batista em Trindade e Diretor do Ministério Infanto Juvenil na Primeira Igreja Batista de Niterói, não exatamente nesta ordem e tempo. Meu princípio básico é servir a Deus, mesmo de forma incompreensível ao homem mundano, pois não existe comunhão da luz com as trevas. Por isso mesmo continuo pregando o Evangelho, para trazer mais pessoas à comunhão com Deus.

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