Olavo de Carvalho e Fidel Castro : Companheiros de Armas

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Fidel Castro é companheiro de armas ideológicas de Olavo de Carvalho na revolução cultural

Olavo de Carvalho tem seu mérito em ter mostrado ao Brasil a mecânica do pensamento comunista e o modo de operação do mesmo. Isso não pode ser tirado dele. Entretanto, seu compromisso de defesa militante do catolicismo destrói qualquer valor posterior que se possa dar a ele.

Embora Olavo afirme que conseguiu derrotar o comunismo “sozinho” no Brasil, sabe-se que isso não é verdade. Olavo de Carvalho contou com amplo apoio, e financiamento mesmo que indireto, da igreja católica. Observando-se a ação de Olavo de Carvalho durante o tempo observa-se a ação de uma equipe de marketing bem organizada que é muito mais do que um exército de um homem só.

Embora não se possa tirar o mérito parcial do Olavo de Carvalho, o fato dele querer o mérito exclusivo é uma ação ridícula e manipuladora. Vários outros atores agiram nesse campo como, inclusive, Reinaldo Azevedo e, gostem ou não, pastores e militantes evangélicos como, só de exemplo, Silas Malafaia e Julio Severo.

O marketing olavete

O marketing olavete consistia em formar torcida. Todo mundo, ou muita gente, estava com raiva do comunismo, mas não sabia como se expressar. Surge Olavo, conhecedor do meio, e bate de frente com os comunistas que destroem valores caros para a sociedade. Claro que todo mundo passou a torcer pelo Olavo, mas como toda torcida, virou idolatria.

Palavrões, autoafirmações de sabedoria sublime, um certo assédio pela sistemática afirmação da “insignificância” de seus opositores foram ingredientes que inflamaram a torcida de revoltados. Dentre estas tarefas, Olavo de Carvalho procurou paulatinamente denegrir os evangélicos como Magno Malta e Marco Feliciano que, depois de serem execrados, foram lamber as botas do guru.

A genialidade olavete

Hoje, analisando a situação, Olavo de Carvalho não foi nenhum gênio, como dizem seus torcedores olavetes, ao contrário, Olavo de Carvalho foi oportunista. Um oportunista quase corajoso, mas um oportunista. Seria corajoso se não se escondesse na Virginia (EUA) para jogar pedras no Brasil, criticando os brasileiros que estavam aqui, portanto foi somente oportunista.

Ele viu a oportunidade criada, não por ele, mas pela própria esquerda no Brasil. A esquerda alienou tanto a população sobre a própria natureza marxista que qualquer um que conhecesse essa natureza poderia aproveitar essa lacuna e ser considerado um “gênio”.

Ou seja, a medida dos olavetes para considerar Olavo de Carvalho um “gênio” ou “o maior filósofo da história do Brasil” é a própria ignorância e o instinto de manada gerado pela torcida.

Mas isso seria meramente ridículo na hipocrisia olavete. O pior é sua ligação perniciosa com a intenção de implantar a hegemonia religiosa do catolicismo pelo domínio das mentes através da política.

A guerra ideológica pela hegemonia católica

O catolicismo não tem apelo espiritual, pois se esvaziou das Escrituras para assumir a filosofia e a política, logo, o proselitismo católico só pode ser feito pela filosofia e política e nunca pela Palavra de Deus. Estudar a Bíblia é a destruição do catolicismo.

Olavo de Carvalho traça uma linha histórica do comunismo que invariavelmente passa pelos pastores protestantes com a finalidade hipócrita de minar os evangélicos no Brasil. Os católicos não podem pregar, pois não têm o que pregar e atacam de três formas para formar prosélitos: aliciamento político, aliciamento filosófico e aliciamento pelo revisionismo histórico.

Sentando em cima da Inquisição Católica

Para Olavo de Carvalho a Inquisição Católica que assassinou milhares de pessoas de todos os tipos jamais ocorreu, ou foi apenas uma “coisinha de nada” onde a culpa era sempre do Estado e não da igreja católica. Pior ainda, Olavo de Carvalho joga a culpa nos evangélicos para realizar seu revisionismo histórico e atender seus patrocinadores no meio católico. Afinal, ele tem que entregar o serviço completo para Roma ou seus representantes.

Houveram guerras religiosas, claro que protestantes estiveram envolvidos, mas protestantes nunca negaram isso. Aliás, nem os católicos negavam isso. João Paulo II chegou a pedir perdão pelos crimes da inquisição.

Alguns dizem que João Paulo II não falou “ex cátedra” e por isso seu perdão não tem autoridade. Se entendermos que “ex cátedra” significa apenas sentar num trono enfeitado podemos ver que a palavra de um papa não vale muita coisa, como nunca valeu.

Ataque ao livre exame da Bíblia

Além do revisionismo da Inquisição Assassina Católica, Olavo de Carvalho ataca o método de interpretação da Bíblia utilizado pelos evangélicos. Querendo valorizar os documentos escritos por homens e a idolatria mais do que a verdade bíblica.

Olavo e seus seguidores acusam evangélicos de interpretar a Bíblia pelo método histórico crítico como se nenhum teólogo católico utilizasse o método histórico crítico.

O método histórico crítico foi utilizado por um grupo de teólogos católicos e protestantes acadêmicos que buscava racionalizar a fé cristã harmonizando-a com a ciência. Essa racionalização chegou a tal ponto que, sob o conhecimento arqueológico parco de dois séculos atrás, acadêmicos católicos e protestantes afirmaram que a Bíblia era uma “farsa piedosa”.

Repito, eram acadêmicos religiosos católicos e protestantes e não somente protestantes como maliciosamente, insinuam os olavetes.

Além disso, o método de interpretação original dos protestantes é o histórico gramatical e não o histórico crítico. Os protestantes mais ortodoxos usam até hoje o método histórico gramatical que considera a Bíblia como inerrante e infalível, ao passo que os católicos consideram o papa como infalível.

Deve-se notar também que o ataque dos católicos ao método científico de interpretação bíblica é um ataque atrasado, pois as descobertas arqueológicas posteriores já desacreditaram totalmente o método cientificista que os católicos gostam de atacar. É a mesma coisa que avaliar uma Ferrari recém fabricada utilizando como parâmetro um fusca 69 caindo aos pedaços.

A camuflagem dos olavetes

A hipocrisia olavete contra a pregação do Evangelho no Brasil é demonstrada quando escondem a participação católica no método que atacam e denigrem o verdadeiro método de interpretação evangélico para dar infalibilidade a um homem sentado em uma cadeira enfeitada, o papa. Aliás, o papado mandou muita gente para a fogueira.

A prova dessa hipocrisia olavete encontrei em um vídeo do Youtube onde o pastor presbiteriano Augustus Nicodemus tratava do método de interpretação. No vídeo original o partor Augustus aponta os católicos e protestantes que utilizaram o método criticado e vencido, mas em canais olavetes a mesma palestra do pastor Augustus aparece com corte de todas as referências ao uso católico do método crítico.

Olavetes difamam evangélicos

Outro exemplo da malícia olavete está no fato de Olavo de Carvalho citar, repetidamente, Kant como criador do pensamento revolucionário. Essa fixação em Kant se deve, ao que tudo indica, mais efetivamente ao fato de Kant ter sido pastor protestante. Ou seja, através da difamação de Kant, Olavo de Carvalho tenta impor um preconceito generalizado contra evangélicos em uma guerra suja contra os verdadeiros pregadores da Palavra de Deus no Brasil.

Quanto à origem do pensamento revolucionário em Kant, Olavo de Carvalho é tão medíocre que não consegue admitir que seu ídolo, Tomás de Aquino, gerou o problema para o qual Kant apenas trouxe a reflexão filosófica.

Antes de Tomás de Aquino o ocidente seguia o platonismo ensinado pelo teólogo e filósofo Agostinho de Hipona. Neste platonismo, entendia-se que o conhecimento do homem era anterior à experiência, ou seja, seria como se o homem se comunicasse com ideias espirituais e entendesse o mundo a partir destes moldes etéreos.

Após o contato com os árabes, escritos de Aristóteles foram trazidos para o ocidente. Aristóteles, ao contrário de Platão, entendia que o conhecimento partia da experiência. Tomás de Aquino, que também fundamentou a inquisição, criou sua filosofia religiosa a partir de Aristóteles. Com isso surgem dois padrões para entender o conhecimento: o padrão ideal e o padrão racional.

Tomás de Aquino é o pai de toda revolução

Tomás de Aquino foi o primeiro a contrariar a norma vigente no próprio catolicismo. Aquino gerou um conflito: ou o conhecimento é anterior à experiência, como dizia Platão, ou a experiência cria o conhecimento, como diziam Aristóteles e Tomás de Aquino.

Como se observa, Olavo de Carvalho não inclui Tomás de Aquino na gênese do pensamento esquerdista, quando na verdade, seguindo o raciocínio olavete, Tomás de Aquino é o pai de todo pensamento revolucionário, Kant, pelo contrário, apenas abordou filosoficamente um problema criado pelo “maior teólogo do catolicismo”. Portanto, esse ataque a Kant, especialmente destacando sua condição de pastor protestante, é uma falácia e guerra cultural nos termos gramscianos mais sujos.

Falsos conservadores

Olavo de Carvalho ainda diz ser o representante máximo do conservadorismo no Brasil, entretanto, os olavetes não são conservadores no melhor sentido do termo. Olavetes são radicais tradicionalistas e não são conservadores, mas nem eles mesmos sabem. Conservadores prezam por princípios éticos e morais de origem cristã, mas tais princípios com base nas Escrituras e não nas tradições pagãs da Igreja Católica Romana ou nas bulas papais.

Olavetes são radicais tradicionalistas, pois os valores que defendem não são os valores de Deus, registrados nas Escrituras, mas eles defendem os decretos católicos sobre uma fé pagã baseados unicamente em uma tradição humana e mundana.

Olavetes defendem a idolatria a santos e a Maria como valores fundamentais para a sociedade brasileira, alegam que estes valores são conservadores, mas são tradicionalistas e pagãos, pois a própria igreja católica só os valida como tradição. Portanto, o verdadeiro povo cristão conservador brasileiro são os evangélicos, pois se baseiam unicamente nos valores bíblicos e não em decretos de padres ou papas.

A sede católica pelo poder

Mas qual o objetivo de sujeira toda? Enganar as mentes das pessoas. Através da política direitista radical tradicionalista, através de uma filosofia marcadamente pró catolicismo romano, através do revisionismo histórico com ocultação dos erros romanos e difamação do povo evangélico com origem na Reforma. Qualquer semelhança com Gramsci não é mera coincidência.

Há várias décadas os católicos tem se preocupado com o crescimento evangélico no Brasil. Eles se preocupam pois o crescimento evangélico diminui seu campo de influência e poder secular sobre o país. Tentativas de tornar o catolicismo mais palatável à população através do Movimento de Renovação Carismática não deram o resultado esperado, pois não adianta imitar o culto evangélico e manter a idolatria.

Com o fracasso de estratégias na mudança dos cultos os católicos mais radicais estão apelando para uma guerra cultural, pela manipulação da mentalidade das pessoas, com o único objetivo de garantir poder secular sobre o Brasil e o olavismo radical é o meio pelo qual a igreja católica degenerada espiritualmente ataca os evangélicos como povo de Deus.

É necessário que acordemos para essa guerra cultural e ideológica que estão lançando contra os evangélicos, precisamos tomar cuidado com nossos jovens que estão sendo cooptados pelas mensagens profanas e aliciadoras dos olavetes em nosso meio.

Se os católicos querem seu espaço que preguem o verdadeiro evangelho, que se convertam à Bíblia e não a tradição pagã , pois Deus dará o crescimento, mas realizar uma guerra cultural contra as igrejas evangélicas omitindo informação e partindo para a ofensa e difamação é coisa digna de qualquer comunista. Nesse ponto Olavo de Carvalho e Fidel Castro são companheiros de armas ideológicas.

Sobre Marco Teles 182 Artigos
Formado em Teologia e Pedagogia, pós-graduado em Ensino Religioso, Neurociência Pedagógica, Comunicação e Oratória. Praticamente um "coxinha fundamentalista". Educador Religioso da Igreja Batista em Icaraí, Terceira Igreja Batista em Trindade e Diretor do Ministério Infanto Juvenil na Primeira Igreja Batista de Niterói, não exatamente nesta ordem e tempo. Meu princípio básico é servir a Deus, mesmo de forma incompreensível ao homem mundano, pois não existe comunhão da luz com as trevas. Por isso mesmo continuo pregando o Evangelho, para trazer mais pessoas à comunhão com Deus.

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